Alguns fatores relacionados ao organismo feminino podem ser determinantes nos tratamentos da infertilidade. Em ciclos de fertilização in vitro (FIV), a idade da mulher costuma estar diretamente relacionada à capacidade de o seu organismo responder bem à estimulação ovariana, aumentando as chances de sucesso.

Antes de iniciar o processo, é necessário fazer uma avaliação individualizada da paciente e dos possíveis obstáculos.

A contagem de folículos antrais através da ultrassonografia transvaginal consegue prever a quantidade de óvulos que serão recuperados e como deverá ser a resposta aos medicamentos. Considera-se como baixa reserva ovariana uma contagem menor que 7 a 8 folículos em ambos ovários. O ideal é realizar o exame no começo da menstruação.

Ainda não há uma resposta consensual na literatura médica para determinar o número ideal de óvulos para a fertilização in vitro. Alguns trabalhos sugerem que uma quantidade boa seja entre 8 e 14 óvulos, o que muitas vezes é suficiente para formar embriões de boa qualidade para a transferência embrionária.

É claro que a formação de embriões depende de uma série de fatores, como a idade da mulher e a qualidade do sêmen do parceiro. E esses fatores são mais importantes até que a própria quantidade

Com esse número de óvulos coletados por ciclo, é possível obter o máximo de chances de gravidez e também minimizar o risco de estimulação excessiva dos ovários, o que pode levar à Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO).

Esse tipo de complicação também pode ser prevista pela contagem de folículos antrais e a dosagem de hormônio anti-mülleriano. Este exame não é obrigatório para todas as mulheres, já que uma contagem de folículos elevada significa que o anti-mülleriano está alto.

Normalmente, mulheres que respondem bem ao estímulo ovariano e têm melhor qualidade dos óvulos também apresentam maior probabilidade de produzir embriões capazes de implantar no endométrio – e estudos apontam que a idade está diretamente relacionada ao número de nascimentos previstos.

Barreira da idade

Independentemente do número de óvulos coletados, os estudos apontam que mulheres com idade inferior a 35 anos apresentam as maiores taxas de sucesso à FIV. A quantidade de óvulos possui influência crescente conforme a mulher ultrapassa essa faixa etária, sendo que, quanto maior a quantidade de óvulos maduros, maior é a chance de encontrarmos um óvulo normal e de ele gerar um embrião normal.

A partir dos 38 anos de idade, a chance de a mulher responder positivamente à FIV diminui. Mesmo assim, as chances de sucesso são muito maiores quando se têm à mão um maior número de óvulos obtidos, sendo possível atingir chances consideráveis mesmo para pacientes entre 41 e 42 anos de idade.

Exames preliminares, como o de contagem de folículos antrais e de hormônio anti-mülleriano, ajudam os médicos a decidirem sobre a dose dos medicamentos utilizados para estimular os ovários. De qualquer forma, está claro que a reserva ovariana e a qualidade oocitária tendem a diminuir conforme avança a idade da mulher.

É importante deixar claro que, em mulheres com idade reprodutiva avançada e baixa reserva ovariana, há chances de a paciente não responder bem ao tratamento. Por isso, estimar as chances de sucesso é importante não apenas para dimensionar o tipo de tratamento, como também para evitar frustrações. Converse com um especialista sobre os seus diagnósticos e possíveis tratamentos.