Início do ano é época de planejamento e muitos casais aproveitam o período para colocar em prática o sonho do primeiro filho ou aumentar a família já existente. Nos dois casos, muitas vezes, é comum se deparar com problemas que acabam atrapalhando os planos dos casais, como por exemplo, a infertilidade.

Tal problema apresenta-se como obstáculo ao projeto de vida da maioria das pessoas e caracteriza-se por causar constrangimento relativo a milhares de homens e mulheres que sonham com a possibilidade da procriação e veem o desejo de construir uma família atravessado pelas dificuldades em conceber um filho pelas vias naturais.

Contudo, a infertilidade não é motivo para desespero. No contexto dinâmico, inúmeras são as descobertas sobre técnicas variadas que auxiliam na hora de planejar uma gravidez. A reprodução assistida é uma delas e oferta aos futuros papais e mamães, um leque de opções para quem deseja engravidar. A verdade é que, com o desenvolvimento cada vez maior de pesquisas médicas-tecnológicas, a fertilização assistida vem seguramente ampliando os limites da fecundidade masculina e feminina.

E com o advento e a difusão das técnicas de reprodução medicamente assistida, homens e mulheres, independentemente de seu estado de união, orientação sexual ou idade, passaram a utilizar essa técnica como maneira de chegar a concretização do sonho de ter filhos.

O método em discussão veio justamente para apresentar uma solução para quem deseja construir ou aumentar a família, legitimando a proposição de inovações biotecnológicas no campo da medicina reprodutiva e possibilitando que os sujeitos “socialmente excluídos” da reprodução possam estar “tecnologicamente incluídos”, demandando à medicina reprodutiva, o filho desejado.

A ausência da gravidez pelas vias naturais representa a falta de algo tanto ao sexo masculino, como ao sexo feminino. Para os homens, o fato de não conseguir engravidar sua parceira põe à prova o seu papel na relação e a sua identidade masculina. Já para as mulheres, a sensação é de impotência, inferioridade e até mesmo vergonha.

A constatação do diagnóstico de infertilidade é acompanhada por medo, ansiedade e sofrimento pelas pessoas que desejam ter filhos. O impacto desse problema pode ser profundo e é comumente vivido como um evento traumático, gerando estresse nas relações conjugais. Na esfera individual, pode gerar uma crise de identidade e uma diminuição na autoestima.

Ao optarem pela reprodução assistida, os casais inférteis que iniciarem o tratamento, passam a vivenciar juntos, momentos de muita expectativa quantos aos resultados dessa técnica. Diante disso, muitas vezes, o fracasso pode gerar forte instabilidade emocional, sentimento de frustração e raiva, além do isolamento dos contextos sócio-familiares, que também é comum nessa fase delicada. Cada novo ciclo de tratamento implica em desesperança pelo filho desejado e o fracasso gera, consequentemente, sentimento de impotência e desesperança.

As técnicas de reprodução assistida são inúmeras e permitem a concepção de filhos sem a necessidade de relação sexual. Essa tecnologia possibilita formas de concepção homólogas ou heterólogas, como: fertilização in-vitro; doação de óvulos, espermatozoides ou embriões; utilização de um útero de substituição – a chamada barriga de aluguel; entre outros.

No entanto, em qualquer uma das técnicas escolhidas, faz-se necessário o acompanhamento psicológico que deve ser disponibilizado em qualquer fase do diagnóstico de infertilidade e do tratamento, para que os casais possam, num primeiro momento, aceitar esse diagnóstico e posterior a isso, ter uma melhor compreensão das exigências inerentes aos processos que terão que enfrentar, bem como tomar decisões mais informadas.

As dúvidas e os medos das pessoas que se veem envolvidas em situações de infertilidade e tem de recorrer a reprodução assistida são legítimas e, nesse novo percurso, através da Medicina Reprodutiva, uma nova ordem surge e impulsiona para lugares ainda não percorridos.

Fonte: Associação de Terapia de Família do Rio de Janeiro

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